Jornalismo e Ficção - O Repórter: narrador e narrado

22 de Setembro de 2016

Considere-se o repórter uma invenção moderna – um dos acontecimentos mais importantes da civilização americana, escreveu Robert Park no início do século XX – ou veja-se nele um ofício de observar, escutar e contar tão antigo como Heródoto e Tucídides. Enalteça-se as investigações que muito revelam e explicam ou recorde-se o rotineiro ofício de reportar pequenas ocorrências, mexericos e sensações. Discuta-se as velhas querelas da interpretação e da objectividade, do repórter autor ou do narrador que se apaga.

Entre as suas muitas caras, o facto é que «a reportagem» adquiriu um estatuto de género nobre do jornalismo que parece incontornável até em tempos de vertigem informativa e precariedade profissional, ou talvez também por isso. E há, em particular, uma faceta da reportagem e um tipo de repórter que assumiram a velha pulsão humana de contar histórias. Histórias reais, com gente verdadeira, com as técnicas de recolha e os preceitos da informação – mas histórias: relevantes, inauditas, empáticas, representativas.

Com esse tipo de reportagem desenvolveu-se até uma cultivada tradição em que o ofício se aproxima da arte, uma corrente que desde o início viveu paredes-meias com a prosa literária, depois também com o documentário cinematográfico ou, mais recentemente, experimentando novas e criativas formas de narrar no universo multimedia.

Uma das coisas que distinguem este trabalho de reportagem é o factor humano – a centralidade das pessoas, que se tornam mais ‘personagens’ do que ‘fontes’ –, mas a verdade é que também há muito que o repórter se tornou ele próprio uma personagem que outras histórias passaram a contar.

Em bases verídicas ou ficcionais, a sua figura tem sido muitas vezes alvo de fascínio no cinema e na literatura, ao mesmo tempo que é desmistificada ou satirizada. Foi usado como inspirador, como anti-herói, como cínico, às vezes como mero recurso narrativo.

Que figura é esta, que conta e é contado, e como conta ele hoje o quê, e de que forma outros têm vindo a contá-lo?

Nas jornadas de “Jornalismo e ficção: O repórter, narrador e narrado”, o Labcom.IFP convida um grupo de jornalistas, ex-jornalistas e investigadores a juntarem-se na UBI e a cruzarem reflexões sobre jornalismo e narrativas: por um lado, as que respeitam à narrativa de reportagem, suas características e modalidades; por outro, as que observam e narram o repórter representando-o e ficcionando-o na literatura e no cinema.


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