Colóquio Internacional “Inquisição, Cripto-Judaísmo e Marranismo”

O Museu Judaico de Belmonte vai acolher, nos dias 14 e 15 de abril, o Colóquio Internacional «Inquisição, Cripto-Judaísmo e Marranismo». Trata-se de uma iniciativa organizada por António Bento, docente da UBI e investigador do LabCom.IFP. Entre os participantes estrangeiros contam-se nomes como Herman Prins Salomon, Carsten Wilke e Peter Nahon. De Portugal, figuras cimeiras como Moisés Espírito Santo, Maria Antonieta Garcia, Elvira Meo, Susana Mateus, António Carlos Carvalho e Helena Cordeiro irão tecer considerações sobre o tema. O colóquio irá decorrer no âmbito da Judaica – Mostra de Cinema e Culturaque, para celebrar o seu quarto aniversário, vai estar presente neste ano em quatro localidades (Lisboa, Cascais, Belmonte e Castelo de Vide), com programas diferentes, para todos os gostos e idades.

Programa


14 de Abril (quinta-feira) 

09:00 – Recepção dos Convidados

09:15 – Sessão de Abertura

– Presidente da Câmara Municipal de Belmonte

– Presidente da Rede de Judiarias de Portugal 

– Organização


09:30: Discurso Inaugural

Monique Benveniste:

- «A Cátedra de Estudos Sefarditas “Alberto Benveniste”: Experiência e Balanço»


09:45: 

Moderador: António Bento (Universidade da Beira Interior) 


Jorge Martins:

- «O Judaísmo em Belmonte no Tempo da Inquisição»


Maria Antonieta Garcia:

- «Retalhos da Vida de Cristãos-Novos, na Beira»


11:15 – 11:30: Intervalo 


11:30:

Moisés Espírito Santo:

- «A Festa da Senhora dos Prazeres (no Domingo da Pascoela) de Origem Cripto-Judaica» 


Heron Duarte de Almeida:

- «Porto Seguro nos Degredados Cristãos-Novos: o Judeu no Sertão Nordestino»


13:00 – Almoço  


14:30:

Moderador: Tito Cardoso e Cunha (Universidade da Beira Interior)


Elvira Azevedo Mea:

- «Inquisição no Século XVII: Uma Fábrica de Cristãos-Novos?» 


Susana Bastos Mateus:

- «A Cristalização de um Perfil. Os Cristãos-Novos na Documentação Inquisitorial (1537-1548)»


Teresa Cordeiro:

- «Os Cristãos-Novos da Cidade de Viseu (Séculos XVI-XVII): Problemáticas de uma Nova Diáspora»


16:30 – 17:00: Intervalo 

17:00: 

Moderador: José António Domingues (Universidade da Beira Interior)


Herman Prins Salomon:

«Menina e Moça: A Penúltima Vítima Cristã-Nova Assassinada pela Inquisição Portuguesa (Évora, 31 de Agosto de 1760)»

 

18:00: Encerramento dos trabalhos


18: 30: 

   Auditório Municipal: Sessão de Abertura da Judaica–Mostra de Cinema e Cultura–Belmonte

- Apresentação do livro “Boas Fadas que te Fadem” (In Memoriam António Monteiro Cardoso)

- Exibição do documentário “O Cônsul Desobediente – Exílio em Portugal” de Uli Jürgens (45 min)

- Degustação de produtos Cacher


20:00 – Jantar  


15 de Abril (sexta-feira) 


09:00: 

Moderador: José Maria da Silva Rosa (Universidade da Beira Interior) 


Carsten L. Wilke:

«El Secreto de los Doctores: En Torno a un Círculo de Académicos Criptojudíos en Lisboa, 1593-1614»


Peter Nahon:

- «Aspects de la Religion Populaire des Israélites de Rit Portugais de Bayonne et Bordeaux»


Miriam Assor:

- «Isaac Cardoso, o Médico Português do Rei Espanhol»


11:15 – 11:30: Intervalo 


11:30

António Bento:

- «Baptismo Forçado, Tipos de Conversos, Inquisição»


António Carlos Carvalho:

- «Uma Questão (do) Inconsciente – Descobrir o Encoberto»


13:00: Encerramento dos trabalhos


13:00 – Almoço 


Apresentação do colóquio

Indicação de método de Michel Foucault: «O historicismo parte do universal e passa-o de certa forma pelo ralador da História. O meu problema é exactamente o contrário. Parto da decisão, teórica e metodológica, que consiste em dizer: suponhamos que os universais não existem…» Que é como quem diz: como é que os historiadores podem escrever a «História da Inquisição» se não admitem a priori que existe algo como a «Inquisição», os «Cristãos-Velhos», os «Cristãos-Novos», os «Judaizantes», os «Conversos», os «Cripto-Judeus», os «Marranos»?

E Michel Foucault prossegue: «Em vez de partir dos universais para deles deduzir fenómenos concretos, ou em vez de partir dos universais como grelha de inteligibilidade para algumas práticas concretas, gostaria de partir destas práticas concretas e, de certa maneira, passar os universais para a grelha dessas práticas. Não interrogar os universais utilizando a história como método crítico, mas partir da decisão da inexistência dos universais para saber que história se pode fazer.»

Seguindo um pouco as maneiras de trabalhar de historiadores como Reinhart Koselleck, Ernst Kantorowicz e Michel Foucault, o presente colóquio, debruçando-se sobre as inquisições e os judaísmos da Península Ibérica, pretende precisamente partir da decisão da não existência de universais na chamada «História da Inquisição». Assim, sejam eles entendidos e usados de modo nominalista ou de modo realista, os conceitos empregues na discussão dos vários problemas levantados pelo aparecimento das inquisições peninsulares não são dados exactamente ao mesmo tempo, de igual modo e nos mesmos lugares, não são sempre comensuráveis entre si, não são técnica nem heuristicamente sobreponíveis e não são sempre intermutáveis na política dos diferentes reinos da Península Ibérica. Numa palavra, o significado preciso de tais conceitos não é independente dos séculos, dos locais e das contingências empíricas – teológicas, políticas, económicas, sociais – em que aparecem e se dão a ver. A ideia-matriz deste colóquio é, portanto, propiciar uma clarificação do vocabulário técnico disponível através de uma distinção analítica e histórica rigorosa de alguns conceitos nucleares nesta área do saber: «inquisição», «conversão», «judaizantes», «cristãos-novos», «cristãos-velhos», «judeus» «judeus públicos», «cripto-judeus», «conversos», «marranos». 

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