Capa: Francisco Paiva, Catarina Moura (2016) Designa 2016 - ERRO(R). Communication  +  Philosophy  +  Humanities. .
Designa 2016 - ERRO(R)

by Francisco Paiva, Catarina Moura

Coleção: Ars
Série:
Ano da edição: 2016
ISBN: 978-989-654-361-7 (pdf)


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Sinopse

A DESIGNA - Conferência Internacional de Investigação em Design, adopta o “Erro” como mote da 6ª edição.

Tradicionalmente depreciado por corporizar o insucesso, a falha, o engano, a incorrecção, a ignorância ou mesmo o disparate, o “erro” tem um potencial especulativo incalculável, desde logo por se opor à quase hegemónica cultura do progresso e do sucesso, que tanto inspira a actividade do Design. Pensamos que é um tema sugestivo, tanto para o projecto como para a teoria e a crítica dos padrões de similitude e diferença face à norma ou à expectativa, centrais na prática e na formação dos designers.

O erro reporta desde logo à acção de vaguear, ao desvio, ao engano e à incerteza, mas também à ilusão que possibilita a assunção de consciência e à dúvida capaz de clarificar o propósito de um programa e de um projecto. O erro tem obviamente custos, mas também tem valor.

No campo do Design, o significado do erro tem sido subestimado, pois comporta um potencial performativo capaz de anular o estigma da “falha” que até a escatologia religiosa lhe atribui. O erro abre campo ao inesperado, é capaz de revelar dimensões involuntárias e surpreendentes de um processo e de um sujeito. Mais do que o erro absoluto, pensamos no erro relativo. No erro que não diminui, antes amplia as possibilidades do processo. No erro necessário.

Considerar que o erro permite progredir é uma questão complexa, quase paradoxal, que demanda a exploração de múltiplas pistas, respostas e variáveis. Importa saber em que medida o erro como excepção conta no processo de aprendizagem, seja por nos demonstrar os limites da regra ou por ser um passo necessário no aperfeiçoamento ou na compreensão de assuntos cujos contornos fogem a uma “verdade”, revelando o improvável capaz de abalar os quadros mentais mais positivistas, na medida em que as correcções e as emendas aumentam o grau de consciência do sujeito face a uma determinada situação.

Embora o erro permita obter experiência e conhecimento, aumentando a resiliência, permanece na sociedade contemporânea como o paradigma daquilo que não pode ou não deve ser feito. O modo de relação com o erro denota, pois, a maturidade e a capacidade de uma determinada pessoa ou comunidade lidarem com os seus limites culturais. Havendo distintos tipos de erro, do coração, de vontade, de acção, etc., apenas quem ousa é capaz de errar.

Ao assumir este risco, a Designa deste ano convoca olhares críticos sobre os processos e os objectos de design não homologados, capazes de provocar estranheza, de produzir uma análise da desconformidade, da incerteza e dos intentos falhados que a complexidade do mundo comporta.

O erro como tema de uma Conferência de Design compreende em si mesmo todo um programa ideológico, com implicações práticas, teóricas, críticas, pedagógicas e até políticas. É precisamente para discutir esse campo especulativo vasto que convidamos todos os designers, investigadores e outros académicos a “laborar em erro”, submetendo as suas propostas de comunicação à 6ª edição da Designa.



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