Doutoramento sobre comunicação política

Rosália Rodrigues defendeu no dia 27 de março a tese de doutoramento intitulada “Comunicação Política 2.0: Estratégias On-line na Campanha das Legislativas de 2009”.
Quais as alterações e inovações trazidas pela utilização da Internet numa campanha política, em período de eleições? Esta foi a questão que norteou o trabalho desenvolvido pela investigadora do LabCom.IFP, que procurou ainda refletir sobre o papel da Internet face aos media tradicionais.
A autora analisou o conteúdo dos sites do PS e do PSD elaborados para a campanha on-line (Movimento Sócrates 2009 e Política de Verdade) e fez entrevistas a representantes dos respetivos partidos. O trabalho foi orientado por António Bento e contou com Paulo Serra como co-orientador.
Rosália Rodrigues confirmou a existência de conteúdos específicos dos sites, enquanto canais de comunicação política e de transmissão da mensagem de campanha. “A Internet torna-se, assim, multiplicadora da comunicação gerada nos outros media, ao mesmo tempo que introduz no espaço público novos temas, contribuindo para a constituição da agenda política mediática”, explica. 
A autora do estudo refere que os partidos tiveram, na campanha de 2009, a preocupação de renovar os seus sítios institucionais, introduzindo novos espaços de interação. Uma constatação que a investigadora relaciona com a “Teoria dos Usos e Gratificações”, no sentido em que os cidadãos “ficam mais gratificados quanto mais úteis se sentirem a desempenhar um papel de produtores de conteúdos, questionando, participando na resolução dos problemas, em uníssono com os decisores políticos”. 
Em relação aos conteúdos colocados nos dois sites políticos analisados, a autora observou “a existência exclusiva de mensagens favoráveis aos partidos em questão ou, então, de crítica à oposição”. Rosália Rodrigues conclui que “em campanha, os partidos da oposição apresentam um discurso mais negativo do que os partidos que ocupam o poder nesse momento”. 
Os participantes nos espaços analisados são maioritariamente do sexo masculino. Rosália Rodrigues considera que é necessário “contornar alguns problemas que reproduzem outros já existentes nos espaços off-line, como sejam as desigualdades de género, a iliteracia digital, ou ainda o facto de que nesses espaços participe apenas quem já está persuadido, ou quem quer reforçar ideologias”. Para que se desenvolva uma “CiberPolítica” é necessário “fomentar uma cultura política de cidadania e participação”, acrescenta.
O júri das provas foi constituído por José Manuel Boavida Santos, professor associado da Universidade da Beira Interior, José Manuel Figueiredo Gomes Pinto, professor associado da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, João Carlos Ferreira Correia, professor associado da UBI, António José Ferreira Bento, professor auxiliar da UBI, Varga Carlos Jalali, professor auxiliar da Universidade de Aveiro, e André Barata Nascimento, professor auxiliar da UBI.
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